domingo, 8 de outubro de 2017

Informe Ambiental quase 10 anos de informação

O projeto Informe Ambiental deus seus primeiros passos em 2007, com a publicação de um tabloide com uma tiragem de 10000 exemplares, mais tarde em 2013 vieram a revista, e o blog e a página no facebook. Certo é que nestes anos levamos muita informação de qualidade sobre meio ambiente, desenvolvimento e sustentabilidade. Notícias, artigos, e eventos como EcoBike (hoje encampado pela Secretário Municipal de Desenvolvimento Ambiental de Campos dos Goytazes).  Acredito que neste tempo todo, levando em consideração a escassez de recursos, o projeto cumpriu seu objetivo de difundir a informação ambiental.
Ontem iniciamos uma nova etapa do projeto com a estreia do Programa Informe Ambiental na Rádio Aurora. Um desafio, um novo aprendizado, mas posso garantir que faremos o melhor para continuar a cumprir com nossa missão de informar, comunicar e educar sobre este tema tão relevante que o meio ambiente, que é a vida.
Assim republicamos hoje (on line) nosso primeiro jornal, como forma de ilustrar nossa história e lembrar todos que nos ajudaram até aqui.

Roger Coutinho

Leia Aqui.




domingo, 1 de outubro de 2017

PROGRAMA INFORME AMBIENTAL - RÁDIO AURORA

É com grande satisfação que comunico a todos que a partir deste sábado dia 07 de outubro, das 15 a 16 horas, o projeto de informe ambiental ganha mais uma mídia.
As notícias da semana e entrevistas com escritores, gestores, ambientalista, estudantes e profissionais.
Você que está em Campos dos Goytacazes, pode ouvir o programa pela FM 104,1. Mas todos podem ouvir nossa Rádio pelo site http://www.radioaurora.com.br/, pelos APPs ANDROID ou IOS, e também pelo Facebook Live em nossa página, https://www.facebook.com/radioauroraweb.

Aguardo vocês!

Roger Coutinho



terça-feira, 26 de setembro de 2017

LANÇAMENTO do livro "Passatempos Ecológicos do Lucas"

Leonardo Valença lança mais um livro da série "Lucas", e nos fala um pouco dele.
 
Olá amigos do Informe Ambiental!

Apresento para vocês o meu livro infantil que se dedica a transmitir a educação ambiental de uma forma leve e divertida.

 
O livro "Passatempos Ecológicos do Lucas" além de ensinar ecologia às crianças, também difunde a sustentabilidade na hora da compra do livro. Ele só é impresso depois da venda, ou seja, você encomenda seu livro pelo site da editora, e só depois disso ele é impresso. Com isso, nada de estoques parados nem de desperdício de papel. Dessa forma, a impressão sob demanda usa os recursos naturais de forma racional e inteligente, contribuindo para garantir a médio e longo prazo um planeta melhor. É a economia aliada à praticidade e à consciência ecológica.
 
O livro usa o recurso lúdico para despertar a consciência ambiental do público infantil. Lucas é um duende ecológico que busca sensibilizar as crianças e jovens para que adotem atitudes corretas em relação às questões do meio ambiente, da sustentabilidade e uma vida mais saudável. Este é o segundo livro do personagem título pois, em 2012, o autor e cartunista Léo Valença lançou o "Almanaque Ecológico do Lucas". Assim como o primeiro, o livro "Passatempos Ecológicos do Lucas" chama a atenção da sustentabilidade de nosso planeta de uma maneira divertida e interessante. O livro incentiva práticas que conscientizam sobre a importância da preservação ambiental através de jogos educativos como caça-palavras, testes, cartuns, quadrinhos, curiosidades e muitas brincadeiras ecológicas.
 
Para conhecer mais sobre o livro, acesse o site da editora no link abaixo:

Obrigado!
Abraços!
 
Léo Valença

sábado, 26 de agosto de 2017

FISCALIZAÇÃO DE MEIO AMBIENTE GARANTINDO O AMBIENTE SADIO E EQUILIBRADO

O município de Campos dos Goytacazes possui mais de 4000 Km² de área, uma população que já ultrapassa meio milhão de habitantes, milhares de quilômetros de rios, riachos e canais, dezenas de lagoas, praias, manguezais, restingas, montes e serras. Quatro unidades de conservação municipais, um parque urbano, e ainda duas unidades de conservação estaduais.



Um patrimônio ambiental invejável e significativo, mas que demanda cuidado e vigilância, trabalho este sobe a responsabilidade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Ambiental, exercido diretamente pela equipe de fiscais do Departamento de Fiscalização e Controle. A equipe conta com 6 fiscais que diariamente desempenha esta hercúlea missão de cumprir o ditame constitucional e garantir para a sociedade o meio ambiente sadio e equilibrado que todos desejamos e alicerça a saúde e a qualidade de vida da nossa terra. Estes nobres servidores merecem nosso respeito e aplauso, e mais que isto necessitam de nossa colaboração. Não danifiquem o ambiente em que vivemos, cuidem das árvores, das nossas águas e matas, dos pássaros e outros animais, eles são nosso legado para o amanhã. E caso tenham qualquer dúvida, entrem em contato. O time da fiscalização é formado por profissionais graduados de alto gabarito e notório conhecimento e terá prazer em atendê-los. E se souberem que alguém esta degradando o ambiente, DENUNCIE!


DISQUE DENÚNCIA/INFORMAÇÕES: (22) 9 8175-0207

quinta-feira, 4 de maio de 2017

ENTENDENDO A RELAÇÃO: BICICLETA, CIDADES E SUSTENTABILIDADE.

“Diga e eu me esquecerei, mostre-me e talvez me lembre, envolve-me e compreenderei.” (Benjamin Franklin)

Sustentável, saudável, rápida e acessível. A bicicleta é hoje um meio de transporte fundamental para os centros urbanos


Nos fóruns sobre sustentabilidade das cidades os planejadores urbanos, que vislumbram cidades mais humanas, buscam a criação de novos paradigmas para planejamento urbano, percebe-se que as cidades são o ‘ecossistema’ do bicho homem, ecossistemas complexos e capazes de impactar todos os outros ecossistemas do planeta, devido principalmente à demanda crescente por insumos, energia e espaços para depuração de seus rejeitos.
Fatores ambientais com o ar (que respiramos), uso racional de energia, mitigação dos impactos do trânsito, são nos dias de hoje fatores sine qua non para que as cidades não se tornem um ambiente ‘inabitável’.
É imprescindível entender que o paradigma em construção visa demonstrar que a sustentabilidade urbana abrange questões mais amplas que o conceito de sustentabilidade do senso comum. Pois o ambiente humano/urbano possui como pilares, o social, o econômico, e o político, além dos aspectos essencialmente ecológicos.
Cidades como Amsterdã e Copenhague, entre outras já perceberam e incorporaram em seu planejamento do uso dos espaços urbanos a bicicleta como um elemento essencial a relação homo sapiens/cidade.
Fator este que comprovadamente vem promovendo uma melhoria na qualidade de vida da população, reduzindo a poluição do ar, o número de acidentes (e consequentemente os custos da saúde pública) entre outros ganhos.
 Infelizmente o uso da bicicleta no Brasil ainda enfrenta forte preconceito, principalmente devido à falta de cidadania, e noções básicas do que é sustentabilidade.
A proposta do Projeto EcoBike é atuar principalmente no processo comportamental (emoção, pensamento e fisiologias), utilizando a bicicleta com ferramenta de interação entre os indivíduos,  fazendo os participantes perceberem os espaços urbanos, naturais, seu bairro, sua comunidade.
O projeto busca demonstrar o quanto é importante o uso da bicicleta, o quanto ela é sustentável e viável como meio de transporte em uma planície com a nossa pela terra de luz e madrigais.

Roger Rangel Coutinho
Administrador - M.Sc. Eng. Ambiental


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Projeto Educação em Movimento

“DIGA E EU ME ESQUECEREI, MOSTRE-ME E TALVEZ ME LEMBRE, ENVOLVE-ME E COMPREENDEREI.”

As pesquisas comprovam que pessoas expostas a estímulos auditivos (uma apresentação teórica), absorvem em média 25% do conteúdo abordado. Se for adicionado um estímulo visual ao auditivo, o percentual aumenta para 35%. Entretanto, se as pessoas estiverem envolvidas e transformadas em agentes do próprio aprendizado, o percentual de retenção sobe até para 80%, proporcionando assim, um maior retorno sobre o investimento do treinamento.
Assim promover a sensibilização dos mais diversos atores sociais para importância da conservação dos ambientes naturais torna-se mais eficaz quanto envolvemos as pessoas em atividades voltadas a preservação do meio ambiente, ou outras que só são possíveis em ambientes preservados.

A proposta do Projeto Educação em Movimento se firma nas ideias da  Escola peripatética, que  foi um círculo filosófico da Grécia Antiga que basicamente seguia os ensinamentos de Aristóteles, o fundador. Fundada em c.336 a.C., quando Aristóteles abriu a primeira escola filosófica no Liceu em Atenas, durou até o século IV.

"Peripatético" (em grego, περιπατητικός), é a palavra grega para 'ambulante' ou 'itinerante'. Peripatéticos (ou 'os que passeiam') eram discípulos de Aristóteles, em razão do hábito do filósofo de ensinar ao ar livre, caminhando enquanto lia e dava preleções, por sob os portais cobertos do Liceu, conhecidos como perípatoi, ou sob as árvores que o cercavam.

Não é uma ideia nova, mas sem dúvida um (re)inovação na forma de ensinar, pois convenhamos que nenhum recurso pedagógico e tecnológico é mais eficaz experiencia in loco.

Assim apresento-lhes...

domingo, 3 de abril de 2016

VISTORIANDO A BAIXADA DOS GOYTACAZES

Arthur Soffiati

No dia 28 de janeiro de 2016, acompanhei a Professora Doutora Adriana Filgueira e a turma de mestrado em Geografia em visita a alguns pontos da Baixada dos Goytacazes com o fim ilustrar, no campo, alguns pontos sujeitos a desastres. Concentramos nossas atenções em três pontos: Lagoa do Campelo, Três Vendas e Ururaí.
Introdução

Hildebrando de Araujo Góes analisou as quatro baixadas do Estado do Rio de Janeiro para fins de drenagem e "saneamento", como engenheiro da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense, órgão criado em 1933 para erradicar doenças (GÓES, Hildebrando de Araujo. Saneamento da Baixada Fluminense. Rio de Janeiro: Ministério da Viação e Obras Públicas, 1934). Já se sabia que certas doenças não eram mais transmitidas por miasmas e sim por vírus, bactérias, protozoários e fungos. Acreditava-se que vetores dessas doenças proliferavam nas águas lentas que se acumulavam nas baixadas. Portanto, era necessário drenar essas águas para erradicar os focos de endemias e epidemias. Na verdade, havia uma intenção não declarada enfaticamente no processo de "saneamento": incorporar terras submersas à economia agropecuária principalmente, como também ampliar espaços para a urbanização. De um espaço caótico então existente tornava-se imperioso, em nome do progresso, dar a esse espaço aspecto geométrico com a retilinização de cursos d'água e drenagem de lagoas.

As quatro baixadas selecionadas por Góes foram: Sepetiba, Guanabara, Araruama e Goytacazes. Essas áreas foram consideradas problemáticas, pois as águas das chuvas caídas na zona serrana corriam para elas em demanda ao mar. Quanto à Baixada de Sepetiba, também estudada por Góes em rico relatório do mesmo nome, tem ela uma superfície de 1.500 km2 e é formada e drenada por rios de pequeno porte (GÓES, Hildebrando de Araujo. Baixada de Sepetiba. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1942). A distância entre a zona serrana e o mar é considerável para a ocorrência de enxurradas ao longo da planície. Não assim com relação à Baixada da Guanabara, erroneamente nomeada de Baixada Fluminense. Góes inclui nela a Baixada da Tijuca. Com área estimada em 3.800 km2, a distância entre a Serra do Mar e a Baía de Guanabara não permite a existência de longos rios e de uma larga planície. Assim, chuvas torrenciais causam enxurradas. As águas alcançam logo o mar. No entanto, a urbanização rápida e desordenada vem retendo águas pluviais no continente e causando grandes transtornos à região metropolitana e à população de baixa renda, pressionada a construir suas casas no rumo das torrentes. No que concerne à Baixada de Araruama, com cerca de 4.000 km2, há que se destacar a existência de um grande cordão de lagoas paralelas à costa com saída para o mar, do qual se destaca a Lagoa de Araruama, entre a zona serrana e o oceano, que o transforma em principal receptáculo das chuvas abundantes. Mas, aqui também, a urbanização acelerada está dificultando o processo de drenagem.

Figura 1- Baixadas do Estado do Rio de Janeiro segundo Hildebrando de Araujo Góes (1934):
1- Sepetiba; 2- Guanabara; 3- Araruama; 4- Goytacazes
A singularidade da Baixada dos Goytacazes

A Baixada dos Goytacazes é singular em relação às outras. Primeiramente, ela foi construída pelo Rio Paraíba do Sul, o maior do Estado do Rio de Janeiro, e o mar. É de se esperar, portanto, que seja a mais extensa de todas. De fato, ela conta com uma área de 8.300 km2. A soma das superfícies das outras três baixadas supera a dos Goytacazes em apenas 1.000 km2. Formada a partir de 5.100 anos antes do presente, ela se compõem de uma grande área de origem aluvial e da maior restinga do Estado do Rio de Janeiro, senão de todo o Brasil. Associa-se a ela outra grande restinga, de origem mais antiga, aqui denominada de Restinga de Carapebus. Na retaguarda dessa planície, a zona serrana se constitui da Serra do Mar, que se interrompe abruptamente na margem direita do Rio Paraíba do Sul, e de uma formação cristalina antiga e baixa na sua margem esquerda (As duas grandes teorias sobre a formação da planície fluviomarinha do norte fluminense foram formuladas por LAMEGO, Alberto Ribeiro. O Homem e o Brejo, 2a edição. Rio de Janeiro: Lidador, 1974; e MARTIN, Louis; SUGUIO, Kenitiro; DOMINGUEZ, José M. L. e FLEXOR, Jean-Marie. Geologia do Quaternário Costeiro do Litoral Norte do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Belo Horizonte: CPRM, 1997. O autor acompanha a segunda).

A segunda característica da Baixada dos Goytacazes é a distância entre a zona serrana e o mar. Tomando-se o ponto em que o Paraíba do Sul deixa o cristalino, em Itereré, até seu ponto mais meridional, na foz do Rio Macaé, sua latitude se estende de 21o40'35"S a 22o22'7"S. Em termos de longitude, podemos tomar a extremidade setentrional da Restinga de Paraíba do Sul, a 41o4'28"O, até a foz do Rio Macaé, a 41o46'15"O. Assim, só podemos registrar enxurradas nas vertentes da Serra do Mar. A vertente interior é drenada pelos Rios Piabanha, Paquequer, Grande e do Colégio, principalmente, todos eles afluentes do Rio Paraíba do Sul. Pela vertente exterior, descem os Rios Macabu, Urubu, Imbé e Preto, confluindo todos eles, direta ou indiretamente para a Lagoa Feia, com exceção parcial do Rio Preto. Da zona serrana baixa, à margem esquerda do Paraíba do Sul, provêm os Rios Paraibuna de Minas, Pirapitinga, Pomba e Muriaé, com nascentes na Zona da Mata Mineira. Em resumo, a Baixada dos Goytacazes é, das quatro, a que mais recebe águas pluviais e a mais drenada. É, de todas, a mais extensa. A distância entre a zona serrana e o mar é notável.

A terceira característica dessa planície é a mínima declividade dela entre a margem direita do Paraíba do Sul e o mar, o que dificulta o escoamento das águas fluviais e pluviais. Transbordando em períodos de cheia pela margem direita, as águas do Paraíba do Sul derivavam lentamente e, no seu percurso, iam se acumulando em depressões e formando extensas e rasas lagoas, banhados e brejos. Essa baixada propiciava a constituição de um verdadeiro pantanal. Foi na margem direita do Rio Paraíba do Sul, problemática em termos de drenagem, que se instalaram a cidade de Campos e a fatia mais significativa da agroindústria sucroalcooleira.

A quarta singularidade da Baixada dos Goytacazes é que, a rigor, só existiam três defluentes originais e regulares das águas acumuladas no continente para o mar: os Rios Paraíba do Sul, Iguaçu e Guaxindiba, que enfrentavam e enfrentam permanentemente a grande energia oceânica, que tende a fechar qualquer desaguadouro. Enquanto os rios que drenam as Baixadas de Sepetiba e da Guanabara desembocam em baías protegidas e os que drenam a Baixada de Araruama são capturados pela lagoa de mesmo nome e por outras, os da Baixada de Goytacazes lutam contra o mar aberto e violento. Alberto Ribeiro Lamego considerou o mar - não o Paraíba do Sul e as lagoas - como o maior adversário da agropecuária e da vida urbana. Entusiasta do Departamento Nacional de Obras e Saneamento, ele dizia não ser difícil abrir canais com o fim de transportar água do Rio Paraíba do Sul para uma lagoa e desta para outra e desta para outra mais. O problema era abrir canais que transportassem água do continente para o mar, pois a virulência deste certamente faria malograr a obra (LAMEGO, Alberto Ribeiro. Restingas na costa do Brasil. Boletim nº 96. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura/Departamento Nacional da Produção Mineral/Divisão de Geologia e Mineralogia, 1940).

As águas fluviais e pluviais escoavam originalmente e ainda escoam parcialmente, na planície, por dois eixos: o do Rio Paraíba do Sul e do Rio Imbé-Lagoa de Cima-Rio Ururaí-Lagoa Feia-Rio Iguaçu. Os dois eixos chegavam ao mar. Entre eles havia ligações. Eram cursos d'água que fluíam do subsistema Paraíba do Sul para o subsistema Lagoa Feia (para sintetizar o segundo eixo). Eram eles o Rio Preto, Rio Cacumanga, Córrego Grande ou do Cula, Rio Cambaíba, Rio São Bento e Rio Doce ou Água Preta, conforme mostra o mapa a seguir:

 Figura 2- Baixada dos Goytacazes segundo Alberto Ribeiro Lamego (1954). Legenda: A- Rio Paraíba do Sul; B- Sistema Imbé-Ururaí-Iguaçu; 1- Rio Preto; 2- Rio Cacumanga; 3- Córrego Grande ou do Cula; 4- Rio Cambaíba; 5- Rio São Bento; 6- Rio Doce ou Água Preta. Pontos vistoriados: a- Canal de Cacimbas; b- Córrego da Cataia; c- Canal do Vigário; d- Lagoa do Campelo; e- Lagoa da Saudade; f- Canal Engenheiro Antonio Resende; g- Três Vendas; h- Rio Ururaí; i- Bairro de Ururaí
Pontos vistoriados

Com a finalidade de conhecer locais sujeitos a enchentes e estiagens, foram vistoriados, notadamente, a Lagoa do Campelo e a localidade de Três Vendas, no eixo Paraíba do Sul, e Ururaí, no eixo Lagoa Feia. Associado ao complexo Lagoa do Campelo, foram vistoriados também o Canal de Cacimbas e a Lagoa da Saudade

Canal de Cacimbas, Lagoa do Campelo e Lagoa da Saudade
Canal de Cacimbas

No setor norte da Restinga de Paraíba do Sul, as lagoas e brejos têm orientação paralela à linha de costa, prova que sua formação se deu com o processo de regressão marinha e progradação continental. Examinando um mapa com alguns detalhes pode-se perceber que a restinga vedou pequenos cursos d'água provenientes do tabuleiro, transformando-os em lagoas com formato dendrítico. Na restinga, a Lagoa do Campelo e o Brejo de Cacimbas, principalmente, são paralelos à costa.

No século XIX, o Brejo de Cacimbas foi aproveitado para a abertura de um canal de navegação que recebeu seu nome. Sua finalidade era ligar a Lagoa de Macabu, no tabuleiro, ao Rio Paraíba do Sul para escoar a produção do Sertão das Cacimbas, naquele tempo em território do Município de São João da Barra. O canal contava com eclusas e funcionou durante um bom tempo. Depois foi abandonado. Posteriormente, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) o incorporou à grande rede de drenagem, construída a partir de 1935, desviando sua extremidade setentrional para o Canal Engenheiro Antonio Resende.

Hoje, ele está abandonado e tomado por vegetação espontânea. Com as chuvas do fim de 2015 e princípio de 2016, houve acúmulo de água nele. Quando da vistoria efetuada em 28/01/2016, suas águas vertiam para o Paraíba do Sul, demonstrando que a margem esquerda deste rio é ligeiramente mais alta que o seu nível médio e que o nível do rio estava baixando.  As suas comportas existentes no entroncamento do canal com o rio estavam abertas. No local, fomos informados por um morador que estava ocorrendo desentendimentos entre dois proprietários rurais: um deles querendo as comportas aberta e outro desejando-as fechadas.

Figura 3- Canal de Cacimbas a montante da RJ-194. Foto do autor
Figura 3- Canal de Cacimbas a montante da RJ-194. Foto do autor


Lagoa do Campelo

Antes de sofrer processos antrópicos de transformação, a Lagoa do Campelo, totalmente embutida na parte norte da maior restinga do Estado do Rio de Janeiro, ligava-se ao Rio Paraíba do Sul apenas pelo chamado Córrego ou Valão da Cataia. A lagoa, situada em ponto ligeiramente mais alto que o nível baixo do rio, só recebia água deste quando das cheias. Nas estiagens, a água da lagoa fluía pelo Cataia em direção ao rio, num movimento de mão dupla. Entre o rio e a lagoa, o valão se alargava no rico Brejo da Cataia e da Lagoa do Arisco, excelente local para a reprodução de animais aquáticos, sobretudo peixes. Talvez, por essa razão, o Córrego da Cataia seja tão valorizado pelos pescadores.

No século XIX, tentou-se abrir um canal ligando o Rio Paraíba do Sul à Lagoa do Campelo para fins de navegação. Trata-se do Canal do Nogueira, que alcançou a Lagoa do Brejo Grande e foi abandonado por falta de recursos financeiros. Foi uma obra de vulto da qual ainda se encontram fragmentos. No século XX, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), sucessor da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense, agora com atuação nacional, aproveitou parte do Canal do Nogueira para abrir o Canal do Vigário, de modo a aduzir água do Paraíba do Sul para a Lagoa do Campelo. O órgão pretendia diluir a salinidade da água da lagoa, estabilizar sua lâmina d'água e neutralizar o Córrego da Cataia. O excedente hídrico seria lançado ao mar por outro canal que começava na extremidade norte da lagoa, aproveitando a foz do Rio Guaxindiba para chegar ao mar. O nome dado a esse canal foi Engenheiro Antonio Resende.

Na junção do Córrego da Cataia, o DNOS instalou três comportas automáticas circulares. Quando das cheias, a água do Paraíba do Sul fechava as comportas automaticamente e não permitia a alimentação hídrica da lagoa. Com o abaixamento do nível do Paraíba do Sul durante as estiagens, a água da Lagoa do Campelo fluía para o rio e abria as comportas. Esse sistema gerou um conflito declarado entre ruralistas e pescadores no fim da década de 1970. Por mais de uma vez, as comportas foram arrancadas e a estrada foi fendida para que as águas do rio ganhassem o Córrego da Cataia. Finalmente, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), hoje responsável pelo manejo e manutenção do espólio do DNOS, instalou comportas manejáveis na junção do canal com o rio. Ainda é comum os ruralistas fecharem as comportas em tempos de cheia do rio a abrirem-na em tempos de estiagem. Em nossa vistoria, as comportas estavam abertas, deixando água do córrego fluir para o rio.

Figura 5- Casa de comportas do Córrego da Cataia. Foto do autor




Ainda hoje, há desentendimento entre ruralistas pescadores em torno dos Canais da Cataia e do Vigário. Como este começa num ponto do Paraíba do Sul mais alto que a Lagoa do Vigário, as águas do rio só fluem em direção à lagoa. Sucede que a urbanização ao longo do Canal do Vigário e o antigo vazadouro de lixo de Campos contribuem significativamente para a poluição hídrica, alimentando vegetação espontânea que dificulta a circulação de água entre o rio e a lagoa e contamina as águas da Lagoa do Campelo. Em nossa vistoria, as comportas do canal estavam abertas, o início do canal, pelo menos, está sem vegetação espontânea e as águas estavam fluindo para a lagoa.

Figura 6- Comportas do Canal do Vigário no Rio Paraíba do Sul. Foto do autor
Figura 7- Canal do Vigário a jusante da RJ 194. Foto do autor

Apesar das chuvas, a Lagoa do Campelo ainda não voltou às condições hídricas de 2012. Vestígios da vegetação que cresceu no seu leito durante a longa estiagem de 2014-15 ainda não foram cobertos pelo nível.

Figura 8- Aspecto da Lagoa do Campelo em Mundéus. Foto do autor

Na extremidade norte da lagoa, onde começa o Canal Engenheiro Antonio Resende, o nível da lagoa está mais baixo que o nível do canal, com a água de ambos apresentando coloração distinta. Talvez devido à barragem construída pelos assentados do Assentamento Zumbi dos Palmares.

Figura 9- Início do Canal Engenheiro Antonio Resende (esquerda), Lagoa do Campelo (direita)
e remanescente de vegetação de restinga (esquerda e alto). Foto do autor
Lagoa da Saudade

Como já explicado, as lagoas de tabuleiro oriundas do barramento natural de córregos pela restinga necessitam ainda de muita água para retornarem ao nível da enchente de 2012. A Lagoa da Saudade é a maior delas e apresenta umidade insuficiente. Outras lagoas do mesmo tipo estão com o leito exposto.

Figura 10- Lagoa da Saudade. Foto do autor
Três Vendas

Na margem esquerda do Rio Muriaé, último afluente do Rio Paraíba do Sul, ainda no Município de Campos dos Goytacazes, começou a se erguer, no fim da década de 1960, a localidade de Três Vendas. O pequeno núcleo habitacional cresceu em área sujeita a inundações do Rio Muriaé. Mesmo aparentemente protegido pela BR-356, que corta as várzeas do rio e por um dique junto à margem do Muriaé, a localidade ou fica inundada com a retenção de água pela estrada e não pode fluir em direção ao rio, como em 2008, ou é alagada pela água que transborda do rio, rompe o dique e a estrada, como aconteceu em 2012, talvez a enchente mais violenta a afetar o núcleo. Como tática para enfrentar os alagamentos, os moradores constroem casas de dois ou até mesmo de três andares. Quando das enchentes, eles se transferem para o alto e se livram das águas até que elas baixem.


Figura 11- Rompimento da BR-356 pela enchente de 2012. Ao fundo, do mais distante para o mais próximo:
Zona Serrana, localidade Outeiro, Lagoa da Onça e Três Vendas. Foto: domínio público
Figura 12- Três Vendas na enchente de 2012. Foto do autor
Depois do rompimento da rodovia em 2012, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) reformou a fenda e colocou sob o leito três bueiros de 2X2 m. A Secretaria de Defesa Civil de Campos dos Goytacazes detectou formigueiros na estrada que podem minar o terreno. Em nossa vistoria, concluímos que a reforma feita pelo DNIT, substituindo um velho bueiro circular sem manutenção e entupido, por um sistema mais largo para a passagem de água tanto de um lado quanto de outro da estrada sem danos para ela. Mas não houve nenhuma preocupação do órgão em proteger Três Vendas de outra possível enchente, pois não há comportas para impedir o avanço das águas. Em 2012, elas ultrapassaram de muito o nível dos atuais bueiros.

Figura 13- Bueiros sob a BR-356, nas imediações de Três Vendas. Foto do autor

Rio Ururaí

Passamos do eixo Paraíba do Sul para o eixo Lagoa Feia, tomando a estrada da usina Santa Cruz até a Lagoa de Cima. O eixo Lagoa Feia recebe água do Paraíba do Sul pelos Canais de Itereré,  Cacumanga, São Bento e Quitingute e da Serra do Mar pelo Rio Imbé. A finalidade era verificar o impacto das chuvas sobre o eixo e o bairro de Ururaí, oficialmente situado em área de risco.

O Rio Ururaí foi vistoriado num ponto bem próximo de sua nascente, na Lagoa de Cima. Depois, no bairro de Ururaí, passando pelo Canal de Cacumanga. Ainda no século XIX, este curso d'água natural ligava o Rio Paraíba do Sul ao Rio Ururaí, alargando-se entre os dois rios na grande Lagoa de Cacumanga, como acontecia com vários outros cursos d'água que ligavam os dois eixos. As águas sempre verteram do Paraíba do Sul para o eixo Lagoa Feia. O DNOS canalizou o Cacumanga e extinguiu a lagoa de mesmo nome. Mais tarde, drenou a Lagoa do Saco por um canal afluente do Cacumanga. A urbanização e a falta de rede de esgoto com tratamento, juntamente com a falta adequada de coleta de lixo, transformou o canal num local de despejo de ambos. Passamos por ele e verificamos a intensa poluição que o assola.

Figura 14- Canal de Cacumanga na Tapera. Foto do autor
Figura 15- Rio Ururaí perto da nascente. Foto do autor
Como de costume, o eixo Lagoa Feia se ressente menos das estiagens que o eixo Paraíba do Sul por causa das águas provenientes da Serra do Mar.

Figura 16- Rio Ururaí a jusante da ponte da BR 101- Foto do autor
Considerações finais

1- Embora as chuvas das regiões da Zona da Mata Mineira e Serrana do Rio de Janeiro tenham encerrado uma longa estiagem de dois anos, a umidade ainda não voltou aos níveis de 2012 e 2013. A vazão e o nível do  Rio Paraíba do Sul têm oscilado bastante.
2- As Lagoas do Campelo e do tabuleiro central não se recuperaram devidamente da estiagem. A do Campelo ainda mostra claramente que sua lâmina e espelho d'água não voltaram a níveis desejáveis para o ambiente e para a pesca. Muitas lagoas de tabuleiro ainda estão sem água, com apenas o leito mais umedecido.
3- Nas cercanias de Três Vendas, as obras de reforma do DNIT na BR-356 visaram tão somente a segurança da estrada, não da localidade. Confia-se apenas nos diques da margem esquerda do Rio Muriaé e do Canal da Onça. Se eles se romperem com uma eventual enchente, não se pode garantir que a estrada resista ao impacto da águas, ainda mais se estiver fragilizada por formigueiros, como afirma a Secretaria de Defesa Civil de Campos dos Goytacazes. Se resistir, os três bueiros permitirão a passagem da água em direção a Três Vendas.
4- No eixo Lagoa Feia, a umidade se apresenta  mais intensa, como se pôde verificar na Lagoa de Cima e no Rio Ururaí.
5- Nenhum dos pontos sujeitos a inundações (Três Vendas e Ururaí) sofre ameaça iminente. A Lagoa do Campelo, sujeita a secas intensas, não se recuperou de todo.
6- O relativo conforto hídrico proporcionado pelas chuvas do verão 2015-16 deve ser aproveitado para a conclusão do Plano de Bacia do Paraíba do Sul e para execução de medidas que possam minorar enchentes e estiagens.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

LAGOA DO CAMPELO

Arthur Soffiati


Antes da formação da extremidade norte da restinga de Paraíba do Sul, vários pequenos cursos d'água desciam da unidade central da Formação Barreiras da Ecorregião de São Tomé e desembocavam no mar. O volume hídrico deveria ser então bem maior do que o atual, pois todo o tabuleiro e a zona serrana da margem esquerda do Paraíba do Sul eram recobertos por Mata Atlântica Estacional Semidecidual.

A zona serrana apresenta diferenças nas duas margens do Rio Paraíba do Sul: na margem direita, a umidade é maior porque as nuvens formadas sobre o oceano e sopradas para o continente são retidas pela Serra do Mar (Imbé) e se precipitam na forma de chuva. Na margem esquerda, as elevações são menores, permitindo que as nuvens as ultrapassem impulsionadas pelos ventos. A grande enchente de 2008 no eixo da Lagoa Feia deriva de enormes e atípicas precipitações pluviométricas na vertente atlântica da Serra do Mar. A calha dos pequenos rios que desembocam no Rio Imbé, a calha deste rio coletor, a caixa da Lagoa de Cima e da Lagoa Feia, a calha do Rio Ururaí e do Canal da Flecha não conseguiram absorver o volume de água precipitada. Essa enchente atípica talvez seja a única provocada por chuvas caídas no trecho final do Paraíba do Sul. As outras são causadas por águas provenientes das Zonas da Mata e Serrana e do primeiro estirão da Bacia do Paraíba. Não há, nos registros históricos, notícia de chuva com intensidade daquela que ocorreu em 2008 na margem esquerda do rio. Daí a diferença das formações vegetais nativas de ambas as margens: a maior umidade da margem direita propicia o desenvolvimento de mata ombrófila densa, enquanto que, na margem esquerda, a umidade mais reduzida leva a mata atlântica a se adaptar na forma de mata estacional semidecidual. Ainda há fragmentos da vegetação nativa original em Morro do Coco. Nos tabuleiros, registramos os fragmentos das matas de Angra (junto à Lagoa de Taquaruçu), do Bom Jesus (no entorno da Lagoa do Fogo), de Funil (na extremidade norte do Assentamento Zumbi dos Palmares), da antiga Mata do Carvão, hoje protegida pela Estação Ecológica de Guaxindiba (na bacia do Rio Guaxindiba), na extremidade norte da Lagoa do Campelo (mata de restinga) e na foz do Rio Paraíba do Sul (manguezal).



Figura 1- Unidades geológicas da margem esquerda do Rio Paraíba do Sul no seu estirão final. Fragmentos de vegetação nativa: X- Mata Estacional Semidecidual; X- Mata de restinga; X- Manguezal. Base cartográfica:
 Alberto Ribeiro Lamego (1954)

Quando os pequenos cursos do tabuleiro central foram barrados pela restinga, suas águas se alastraram, dando origem a lagoas alongadas de forma dendrítica. Esses antigos córregos não faziam parte, então, da Bacia do Paraíba do Sul. Eles desembocavam no mar, e, em seus estuários, deveria haver manguezais. Esses pequenos cursos d'água teriam o porte do Rio da Onça, que desembocava no Rio Muriaé depois de formar a lagoa da Onça.
O bloqueio dos córregos nos tabuleiros pela restinga não foi total. Restou uma depressão entre as duas formações geológicas que os mapas antigos registram com o nome de Canal do Campelo. Com o avanço do continente pela deposição de areia por ação do mar e do Paraíba do Sul, novas áreas úmidas foram se formando, agora com orientação paralela à linha da costa, e não mais com orientação perpendicular à costa, como as lagoas de tabuleiros. As principais depressões na restinga são a Lagoa do Campelo (englobando, originalmente, a Lagoa do Arisco e o Brejo da Cataia), os Brejos de Cacimbas, dos Farias, dos Cocos e do Mangue Seco, as Lagoas do Comércio, do Meio, da Taboa e da Praia.

Quando das enchentes ordinárias, as águas das lagoas de tabuleiro subiam de nível e vertiam para o Canal e a Lagoa do Campelo. O excedente hídrico do Canal do Campelo tendia a verter para a Bacia do Guaxindiba. Como o canal era descontínuo, as águas corriam com baixa velocidade e tendiam a estacionar. As águas excedentes da Lagoa do Campelo também fluíam lentamente pelos Canais da Ponte e da Cataia e tendiam a ficarem represadas porque as cheias no sistema Campelo costumavam coincidir com as cheias do Paraíba do Sul. Um senhor idoso, de nome Isaac, residente em Guaxindiba, informou-me, no fim dos anos 1990, que as cheias permitiam a seu pai e a ele saírem em canoa do Rio Guaxindiba e atravessarem o Rio Paraíba do Sul até sua margem direita para fazer compras na antiga Casa Sincera. Pela sua informação, a vazão aumentava muito e ficava retida pela descontinuidade do Canal do Campelo e pela cheia do Paraíba do Sul nos Canais de Ponte Velha e da Cataia, que esse rio se alargava muito, só voltando ao seu nível médio nas estiagens.

Examinando a topografia e os vertedouros naturais do sistema Campelo, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento, com origens em 1933, notou que as águas de cheia tendiam a correr em direção ao Rio Guaxindiba pelo Canal do Campelo e pelo Brejo de Cacimbas, onde um canal de navegação já havia sido aberto no século XIX, ligando a Lagoa de Macabu, nos tabuleiros, ao Paraíba do Sul. Trata-se do Canal de Cacimbas. Tanto este canal, quanto os de Cacimbas e da Ponte apresentam uma peculiaridade: correm para o Rio Paraíba do Sul quando seu nível abaixa a partir de uma determinada cota e vertem em sentido contrário com a cheia do rio. Se as águas de cheia ocorrem simultaneamente no rio e nas lagoas de tabuleiros, a tendência é o estacionamento das águas ou a lentidão do fluxo rumo ao Rio Guaxindiba. Mas antes disso, as águas de cheia do Paraíba do Sul é que enchiam verdadeiramente as lagoas e brejos da restinga e dos tabuleiros, contrariando o sentido natural dos fluxos, do ponto mais alto para o ponto mais baixo.

Para colocar o sistema Campelo a serviço da agropecuária, o DNOS concebeu um Canal para aduzir águas do Paraíba do Sul no sistema, aproveitando parte do Canal do Nogueira, aberto entre o rio e a Lagoa de Brejo Grande para fins de navegação. Ele foi abandonado até o DNOS aproveitar o trecho da Lagoa da Olaria até a Lagoa de Brejo Grande, estendendo-o até a Lagoa do Campelo. Usando parte do canal natural do Campelo, o órgão ligou a extremidade norte da Lagoa do Campelo à foz do Rio Guaxindiba, no mar, pelo Canal Engenheiro Antônio Resende. Tentou neutralizar o Canal da Cataia, instalando três comportas automáticas na sua foz no Paraíba do Sul. Instalou também duas comportas desse tipo no Canal de Cacimbas, desviando a extremidade norte do Canal para o Engenheiro Antônio Resende. Quando as águas do rio subiam, a força delas fechavam as comportas. Quando o nível do rio ficava mais baixo que o nível dos dois canais, a força das águas abriam as comportas para que elas fluíssem em direção ao Paraíba do Sul.

A finalidade do sistema de canais e comportas do DNOS era estabilizar a lâmina d'água da Lagoa do Campelo e eliminar sua salinidade para a agropecuária. As águas do Paraíba do Sul entrariam pelo Canal do Vigário, quando o nível do rio alcançasse cerca de 5,20 m, chegando à Lagoa do Campelo em nível de 3,20 m e saindo pelo Canal Engenheiro Antônio Resende. No local, foi construído um vertedouro de concreto com 4,60 m, pelo sistema de cota da Inspetoria de Portos e Costas, com 1,75 m acima da cota geodésica, hoje usada pelo Instituto Estadual do Ambiente. O excedente também poderia sair pelo Canal da Cataia, mas nunca entrar.

A monografia de conclusão de curso de Geografia no IFF, de Leidiana Alonso Alves, com o título de "Análise geossistêmica da variação temporo-espacial dos espelhos d'água das lagoas do sistema Campelo entre os anos de 2006 e 2015" (Campos dos Goytacazes: IFF/Centro, 2016) trás informações que o extinto DNOS não tinha: a contribuição hídrica das lagoas de tabuleiros barradas pela porção norte da restinga do Paraíba do Sul na direção da Lagoa do Campelo. Esse barramento natural não cortou de toda a ligação dessas lagoas com a Lagoa do Campelo. As lagoas de tabuleiros ainda recebem água da zona serrana e a conduzem para a Lagoa do Campelo.


Figura 2- Orientação dos cursos d'água no Sistema Campelo. Base cartográfica adaptada de Leidiana Alves (2016).


Creio que devemos considerar apenas as Lagoas de Maria do Pilar, Taquaruçu, Olaria, do Fogo, Brejo Grande, São Gregório, Santa Maria, da Saudade, do Saco, do Funil, Grande, das Pedras, Salgada e do Macabu como contribuintes do Campelo. A do Cantagalo fluía e flui, quando cheia, para o Rio Paraíba do Sul. A do Vigário idem, originalmente. Mas o DNOS fechou o canal que a ligava ao rio e abriu outro, para ligá-la à Lagoa Maria do Pilar. Por ação antrópica, então, ela passou a integrar o sistema Campelo. Cabe notar também que muitas lagoas pequenas do sistema ou são braços das maiores ou foram capturadas por ele. Mas o princípio continua o mesmo: as lagoas de tabuleiros fluem para a Lagoa do Campelo e as águas dessa fluem para o Córrego da Cataia, em direção ao Paraíba do Sul, quando seu nível permite, ou para o Rio Guaxindiba pelo Canal Engenheiro Antonio Resende, quando o nível da lagoa supera o coroamento do vertedouro. Contudo, as cheias do sistema Campelo contam mais com as cheias do Paraíba do Sul do que com as cheias provenientes da zona serrana à margem esquerda do grande rio.


Figura 3- Sistema Campelo. Elaborado por Leidiana Alves (2016).


Para encerrar, cabe notar a complexidade do sistema Campelo. Originalmente, em tempo de estiagem, com o nível do Paraíba do Sul baixo, a Lagoa do Campelo atuava como um receptáculo de água das lagoas de tabuleiros e as escoava para o rio pelo Córrego da Cataia. Quando das cheias anuais, havia reversão hídrica: as águas do Paraíba do Sul ganhavam o Córrego da Cataia e alagavam o brejo de mesmo nome, a Lagoa do Campelo (que compreendia a Lagoa do Arisco) e alcançavam as lagoas de tabuleiros. Assim, o sistema Campelo atuava como afluente do grande rio nas estiagens, afluente esse que era alimentado pelo Paraíba do Sul nas cheias.

Com as obras do DNOS, o sistema Campelo tornou-me ainda mais complexo. Pelos Canais do Vigário e Engenheiro Antônio Rezende, o Paraíba do Sul passou também a defluir no mar no Rio Guaxindiba, depois de cruzar a Lagoa do Campelo. Podemos ainda especular que, se as duas conexões do sistema Campelo com o Paraíba do Sul - Canais do Vigário e Cataia - forem vedadas nas cheias ou nas estiagens, alcançando Lagoa do Campelo nível que ultrapasse o vertedouro na sua extremidade setentrional,  o sistema passa, realmente e não apenas virtualmente, a desaguar no mar pelo Canal Engenheiro Antônio Resende, que subtraiu a foz do Rio Guaxindiba finda a sua abertura pelo DNOS nos anos de 1970. Assim, o sistema Vigário se associa a duas bacias: Paraíba do Sul e Guaxindiba.

Por fim, poderíamos considerar o Córrego da Cataia e o Brejo de Cacimbas como os últimos afluentes do Paraíba do Sul. Embora o comportamento hídrico de ambos seja atípico, eles não deixam de afluir para o grande rio.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CURSO DE APICULTURA – PED (Parque Estadual do Desengano)


O objetivo destas oficinas visa auxiliar na capacitação técnica e informativa da comunidade para abelhas silvestres e manejadas, e atrelar estes saberes ao vínculo sustentável e produtivo.  As oficinas fazem parte do projeto Estratégias para desenvolvimento da cadeia produtiva com abelhas por meio da Capacitação e Assistência Técnica, desenvolvidos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro ,através do Instituto de Zootecnia ( Departamento de Produção Animal) e coordenado pela Professora Maria Cristina A. Lorenzon.

Temos como público alvo os apicultores e produtores rurais do entorno do Parque Estadual do Desengano, que contempla os municípios de Santa Maria Madalena, São Fidélis, Campos dos Goytacazes, São Sebastião do Alto, Trajano de Moraes e municípios circunvizinhos.

As oficinas são inteiramente gratuitas, sem cobrança de inscrições ou material didático, considerando o enorme potencial da atividade não apenas do ponto de vista econômico mas também ambiental, pois as abelhas desempenham um papel fundamental na polinização das plantas e a própria existência das florestas.

As inscrições podem ser feitas pelo nosso e-mail institucional : ped.inea@gmail.com ou através de nossos telefones em horário comercial - (22) 2561-1378 ou (22) 2561- 3072

Com essa atividade tentamos fazer uma ponte entre o saber científico, o conhecimento popular e o fomento a uma atividade que impacta positivamente nossa unidade de conservação, mostrando ser possível preservar o espaço natural  e gerar renda.

As oficinas propostas inicialmente são essas, com mínimo de dez ( 10 )  e máximo de vinte ( 20 ) alunos por turma. Algumas oficinas exigem que o aluno já seja apicultor.No ato da inscrição o aluno indica qual oficina deseja participar:

Oficinas


OFICINA 1 - FAÇA SEU CALENDÁRIO APÍCOLA - ( Necessário ser apicultor ) Forma de organização das atividades apícolas. Não se recomenda para iniciantes.

OFICINA 2 - COMO PRODUZIR CERA BRUTA - Os restos de favos como devem ser preparados para troca ou venda.

OFICINA 3 - COMO PRODUZIR PRÓPOLIS ( Necessário ser apicultor ) - Qual é a época, como usar o coletor e fazer a colheita.

 OFICINA 4 - BOAS PRÁTICAS NO MANEJO (Necessário ser apicultor) - Como trabalhar com higiene para garantir a saúde das abelhas.

OFICINA 5 - RECONHEÇA PELO TIPO FLORAL SEU POLINIZADOR - Para cada espécie floral há um determinado polinizador, saiba identificar.

OFICINA 6 - INICIANDO NA MELIPONICULTURA - Saberes mínimos sobre a criação de abelhas sem ferrão.

OFICINA 7 - APICULTURA e ARTEFATOS ECOLÓGICOS  - Como fazer e aplicar verniz, tinta ecológica e iscas para enxames.

 OFICINA 8 - ORGANIZAÇÃO DO AGRONEGÓCIO - REGISTROS - Registro de produtor, a revisão das colmeias Necessário ser apicultor.

OFICINA 9 – ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL (Necessário ser apicultor) - Como aplicar devidamente este manejo.

OFICINA 10 – Iniciando na Apicultura - O que é necessário para ser apicultor.

OFICINA 11 – Revisão de colmeias (  Necessário ser apicultor e dispor de apiário ) - Como revisar uma colmeia e o que observar.


FONTE
Recebido por email de:
Carlos Dário
Gestor do Parque Estadual do Desengano - PED
ped.inea@gmail.com