quinta-feira, 21 de maio de 2015

A SERPENTE MIDAS ACABA COM O ÉDEN

Tudo estava bem, Adão e Eva viviam tranquilos no paraíso, não tinham problema algum, a economia estava equilibrada, e meio ambiente era totalmente puro. Neste paraíso Adão e Eva, tinham todas suas necessidades plenamente satisfeitas, água, comida, belas paisagens para contemplar, ar puríssimo, clima ameno, mas não havia nenhum desejo, nenhuma necessidade não satisfeita, (qualquer marketeiro ficaria louco neste mercado).

Michelangelo - Capela Sistina - O Pecado Original (1508-12)
Então o tempo foi passando e chegou o primeiro aniversário de Eva, e Adão foi à loucura, como agradar uma mulher que não tem desejos e não sente falta de nada. E na tentativa desesperada de encontrar uma resposta para seu dilema, ele começa a indagar os outros habitantes do paraíso, e perguntou ao leã
o, ao macaco, e a todos que encontrava pelo caminho, mas nenhum deles possuía a resposta. Foi então que Adão encontrou a serpente Midas (que era capitalista e possuía a poder de transformar as necessidades em desejos, e todos objetos em mercadoria), que já observava há algum tempo o comportamento de Adão, e engendrava uma resposta.

Adão então perguntou.

_ Midas, Eva vai fazer seu primeiro aniversário em algumas luas, e não sei como agradá-la, já que ela, não possui nenhum desejo, é plenamente satisfeita, não necessita de nada.
Midas, então responde.
_ Meu caro e estimado Adão, já sabes a resposta da pergunta, como dissestes, Eva não possui nenhum desejo, deves então dar-lhe o desejo. Pois sei que uma mulher jamais serás feliz, se nada desejares.
E Adão.
_ Mas como farei isto? Também não tenho nenhum desejo, como posso dar aquilo que não possuo.
Midas, explica.
_É simples, Adão, ninguém deseja aquilo que possui, é necessário, que Eva seja proibida de usar algo. Então vamos criar uma regra, você dirá a ela que o dono do Éden, não permite que se comam às belas maçãs que se encontram no centro do jardim, e mais, que se ela não respeitar esta regra pagará um preço altíssimo.
Adão, parte então para a execução do plano, e conta a Eva a estória da lei das maçãs, e Eva fica pela primeira vez insatisfeita, e diz.
_E se eu desejar comer uma maça? E não aqueles melões sem sabor.
Adão disfarçando a alegria do sucesso do plano, responde.
_Eva, nem pense nisto, se comeres a maça, pagarás com a perda de tudo que tens no jardim, pense bem, não és um preço por demais elevado.
Eva replica.
_Sim, mas sabes que meu primeiro aniversário está para chegar, não mereço algo de valor, não estás disposto a pagar caro para satisfazer este meu pequeno desejo.
Adão agora já todo sorrisos, fala.
_Minha bela e amada Eva, o paraíso é um preço irrisório, perante o prazer de vê-la satisfeita, seu desejo é uma ordem.

E assim Eva acredita que convenceu Adão a
satisfazer seu desejo, e a esperta serpente Midas (como boa marketeira que era), consegue criar a primeira atividade econômica, ao realizar a primeira negociação, quando faz com que Adão e Eva, troquem o paraíso pelos seus pequenos objetos de desejo.

Esta simples alegoria serve para ilustrar a relação pecaminosa da nossa sociedade capitalista com a natureza, com a terra, que é nosso único “paraíso”. Trocamos todos os dias nossas necessidades, de alimento, ar puro, água, lazer, etc, por objetos, mercadorias que satisfazem desejos criados artificialmente, pelas modernas “serpentes Midas”. Desta forma cabe-nos refletir, se queremos cometer os mesmos pecados dos nossos míticos antepassados, pois desta vez não há nada além dos limites do paraíso, nada além dos limites da terra.

Roger Coutinho

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