segunda-feira, 18 de maio de 2015

OS SETE PECADOS CAPITAIS, AS SETE VIRTUDES, E A SUSTENTABILIDADE

A saber, os sete pecados capitais, gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade, e preguiça. Possuem seus contrapontos nas sete virtudes, temperança, castidade, generosidade, paciência, humildade, modéstia, diligência. E, portanto, conforme dogmatizado pela igreja romana, estas virtudes devem ser cultivadas como forma de repelir o instinto humano que nos leva a prática dos vícios capitais.

A gula, como todo pecado capital, leva seu incauto cultivador ao destino infernal de todos os pecadores, mas este vício, por tratar-se do comportamento daquele que consome além das suas necessidades, é capaz de levar não só seu praticante a um futuro dantesco, bem como potencializa em um mundo de escassez de recursos, o mesmo destino para os que vivem na mais perfeita temperança, digo parcimônia, em verdade privações.

A luxuria, considerada o mais infernal dos vícios, conforme o dogma milenar iguala o ser humano aos animais irracionais na busca do prazer carnal, embora estes estejam fazendo apenas o que a natureza os leva a fazer, ou conforme a crença criacionista, criados para fazer. Cabe aqui lembrar que também somos animais, embora diferenciados, por possuirmos polegar opositor e encéfalo desenvolvido (lembre-se de Ilha das Flores). Também é pertinente lembrar que na sábia filosofia hindu, o prazer é a maior manifestação da divindade humana, mas este prazer não pode ser fruto do sofrimento de qualquer outro ser do universo.

A avareza é aquele vício que leva seus praticantes a pensar e agir somente em seu benefício, direcionando todas as energias e esforços para a acumulação de bens. Na pratica este vício poderia até ser uma virtude, caso o praticante mantivesse um comportamento ético, ao buscar a riqueza, e cultivasse na mesma intensidade a generosidade, mas infelizmente tal quais os outros vícios, o avarento não respeita qualquer regra na busca louca pelo enriquecimento, chegando ao absurdo do autoflagelo em prol do acumulo de bens para um futuro desconhecido e obscuro. E desta forma sendo capaz de manter-se em sacrifício constante, não vivendo plenamente, e também imputando o mesmo sacrifício ao alheio.

A Ira, uns dos mais primitivos vícios humanos, resquício talvez do nosso passado bestial, leva o ser humano a atitudes que o nivelam com as forma mais inferiores do universo. E não falo dos animais, mas sim das míticas criaturas do tártaro.

A soberba faz com que o animal humano perceba-se como superior, não só em relação aos outros seres vivos, mas também em relação aos outros membros da sua própria espécie. Desta forma o homem crê possuir o direito de dominar, de comandar, de usar o alheio. Em contrapartida caso cultivasse a humildade, perceberia que todos os seres vivos são semelhantes, e que não há relação hierárquica, apenas funções diversas que garantem a manutenção do sistema.

A vaidade é parceira inseparável da soberba, já que é a maneira de exteriorizar a o orgulho de ser superior, é mostra-se superior, é assumir uma aparência de superioridade. Mas a faceta mais nefasta da vaidade tange a dificuldade que o vaidoso possui de trabalhar em equipe, de produzir pelo bem comum, sem se importar com o mérito pessoal do trabalho. Quiçá fossemos mais modestos, pois trabalharíamos como células que somos, todas unidas para o crescimento e desenvolvimento do organismo universal.

A preguiça, leva a humanidade à inércia, a acreditar em uma solução exógena, e não do esforço endógeno de cada ser. Já o ser diligente sabe que o sucesso e o futuro é fruto único e exclusivo do seu trabalho.

Nestas premissas podemos alçar a hipótese de que a crise na qual mergulha profundamente a humanidade é fruto da míope percepção humana em relação a sua importância, já que hora nos percebemos com verdadeiros deuses, senhores da razão, e detentores dos segredos da vida e da morte, em outros momentos nos percebemos como crianças desprovidas de qualquer responsabilidade e capacidade para gerir nosso destino, colocando-nos assim em posição submissa perante nossos próprios vícios, acreditamos que não somos capazes de desenvolver qualquer virtude, já que somos seres de pouca evolução.

Desta forma acreditamos sermos naturalmente, geneticamente predispostos aos vícios e não as virtudes, e que a única salvação possível é a advinda de algum ente externo. Ente este que dependendo do contexto pode se configurar como um herói, um deus, um líder, um político. Mas sempre um estrangeiro, ou extraterrestre.

Portanto, desmistificando os vícios e as virtudes elencados pela igreja romana, é possível vislumbrar que na prática o ponto equidistante entre os vícios e as virtudes, pode receber a alcunha de sustentabilidade. Pois conforme a sabedoria popular externalizada pela máxima “tudo em demasia é maléfico” e que traz em sua essência a percepção da necessidade de equilíbrio entre o bem e o mal, o positivo e o negativo, entre o vício e a virtude, entre céu e o inferno. Ou usando a máxima homeopática “semelhante cura semelhante”, ou seja, o positivo só se equilibra com o negativo e vise versa.

Por derradeiro que fique claro, que não é objetivo destas ilações criticarem os dogmas da igreja romana, mas apenas torná-los mais úteis a nossa realidade, isto é, trazê-los a luz como parâmetros de mediação comportamental, e não como regras de coerção e/ou indicadores do dualismo religioso prêmio versus punição.

Roger Coutinho

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