sábado, 16 de maio de 2015

SEU HERVAL : UM MESTRE SEM DIPLOMA

O personagem desta história é nascido e criado em Gargaú praia do município de São Francisco do Itabapoana, litoral norte do Estado do Rio de Janeiro.

Seu Herval é aquele sujeito simples e trabalhador, de fala mansa e que todo mundo gosta de conversar, pois sempre tem um ‘causo’ para compartilhar. Com uma infância difícil, vivendo do que o manguezal e o rio forneciam foi crescendo e acreditando que um dia as coisas poderiam melhorar.


Com 12 anos saía de casa à meia noite e retornava às vinte duas horas, chegando a caminhar cerca de 50 quilômetros com um saco de caranguejo na cabeça, vendia uma dúzia para um, meia dúzia para outro ou trocava por alimentos para sua família e seguia em frente. Foi remador com seu pai nas antigas pranchas, onde remava de Gargaú, passando por São João da Barra, Campos dos Goytacazes, e chegando até São Fidélis levando mantimentos produzidos no sertão são-joanense (hoje município de São Francisco do Itabapoana), e voltava com a embarcação carregada de pedras para ajudar a construir o “espigão” em Atafona. Posteriormente foi ser ajudante de pescador e depois foi contratado como pescador por amigos. Sempre com uma relação muito intima com o meio ambiente.

O tempo passou e Seu Herval conseguiu comprar seu barco de pesca e prosperou bastante, chegando a possuir 57 barcos ao longo do tempo, peixaria, frigorífico, fábrica de gelo, depósito de gás e outros. Sua relação com ambiente sempre foi muito próxima e de caráter conservacionista, pois percebia que a natureza sempre foi a maior de suas “riquezas” e que ela nunca lhe faltou. Assim vendo a sujeira e o lixo invadir o manguezal, e outros cursos d’água da região, resolveu agir para evitar que este problema ‘destruísse’ estes locais que tanto lhe deram. Por muitos anos fez a limpeza do canal e do Manguezal de Gargaú com recursos próprios, até contratou funcionários para ajudá-lo a sair de barco recolhendo o lixo.
Certa vez esse Mestre promoveu uma campanha e em um dia recolheu um caminhão de pneus e pagou do próprio bolso a média de R$1,00 por unidade para as pessoas que traziam os pneus, gastou cerca de R$6.000,00 neste evento. Segundo Seu Herval essa atitude foi necessária, pois a quantidade era muito grande nos canais e nas casas, além da poluição, ele estava preocupado com a proliferação de ratos e mosquitos da dengue.

Durante a prosa ele também falou da angustia que vive nos dias de hoje, com o desmatamento do manguezal, e conta e sabe por experiência que o manguezal é o grande berçário da vida marinha, e diz que, “Eles estão acabando com todo o manguezal, desmatando e aterrando para construir casas, comércios e pastos”.

Contudo esse guerreiro não desanima e tentar incentivar outras pessoas a continuar seu trabalho em defesa deste ecossistema tão importante para a vida marinha e de todas as espécies, inclusive do bicho homem. Passa seu conhecimento para estudantes e pesquisadores das instituições de ensino e pesquisa da região e de outras partes. E participa ativamente das pesquisas desenvolvidas em Gargaú.
Assim é seu Herval um homem que nunca frequentou um banco de escola, que planta mangue, recolhe os caranguejos que seriam descartados e os devolve ao ambiente, enfim é um verdadeiro protetor da natureza, e um exemplo a seguir.

Cristiano Peixoto Maciel



Um comentário:

  1. Parabéns..palavras sabia, , tenho muito orgulho de ser sua filha e agradeço hoje a Sr que me tornei com ajuda de vcs os dois Pai Herval e Mãe Glória. (Glorinha)

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