sábado, 20 de junho de 2015

A GRANDE CRISE DA HUMANIDADE

A degradação do ambiente e da sua capacidade de suporte sempre foi discutida pela humanidade deste os mais remotos tempos. Platão (300 aC), por exemplo, já percebia a necessidade do homem avaliar a capacidade da terra em suportar a humanidade e declarou: “O total de pessoas não poderia ser fixo sem considerar a área dos estados vizinhos”. Relatos históricos mostram que a relação entre o homem a natureza remota à pré-história.

A natureza era considerada divina – como era comum na antiguidade – sendo cultuada em muitas religiões. Na visão teológica, o homem possui o lugar mais elevado na “grande cadeia do ser” criada pela sabedoria de Deus. Esta cadeia inclui todas as coisas necessárias a vida na terra (princípio da plenitude), as quais, em decorrência da ordem divina de possuir a terra ou o controle sobre a natureza, o homem pode fazer crescer e multiplicar. A doutrina das causas finais, a qual tem em Libniz seu maior representante, argumenta que o propósito da existência da natureza é servir ao homem para possibilitar a este sua existência “O homem vive numa natureza controlada por causas finais (...). Através do trabalho de suas mãos e cérebros imitando numa escala menor os atos de Deus no universo, o homem busca aumentar a ordem na natureza”.

A história humanidade registra crenças e hábitos de vários povos que desde tempos mais remotos da pré-história entenderam que tudo que é produzido pela natureza possui a finalidade de servir os seres vivos. Vários foram os autores que trataram tal questão ao longo da história. Na visão teológica, própria do pensamento platônico e aristotélico – bases da filosofia grego-romana e, portanto da filosofia ocidental, o princípio da plenitude está associado à idéia aristotélica de comunidade. Nesta, a riqueza e fecundidade de toda a vida podem atingir formas mais elevadas, revelando “uma visível ordem na natureza” (...) Na teoria do pitagóricos, igualmente o universo é percebido segundo “princípios de harmonia e equilíbrio”. Nestas visões teológicas do mundo, que predominaram até a Idade Média, não há, todavia oposição com a idéia de existência de um Criador. Considerada obra divina seria inconcebível que a ação do homem pudesse prejudicar a natureza.

Em 1962, com a publicação da obra Silent Spring, de Rachel Carson – de forma científica, trouxe à tona idéias ambientalistas e alertava para as consequências do uso de defensivos agrícolas e a importância das relações existentes entre os seres humanos, o ambiente e os outros seres vivos do planeta. Na obra, argumentou a respeito das externalidades realizadas no meio ambiente e que possuíam uma capacidade limitada de suporte em função da carga exercida pelas ações antrópicas que diminuíam a capacidade do meio ambiente exercer sua reprodução. Assim, com a divulgação dos estudos de Rachel Carson, o mundo passou a se preocupar com o meio ambiente, embora não o suficiente para sensibilizar a humanidade como um todo. Esta falta de consciência a respeito da necessidade de cuidar do planeta ocasionou ao longo dos anos diversas ameaças à vida na terra, tais como: crescimento dos desertos na ordem de 6 milhões de hectares por ano; desmatamentos de outros 17 milhões de hectares por ano; a oxidação e a erosão excedem a capacidade de regeneração do solo em cerca de 26 milhões de toneladas por ano; os estoque pesqueiros reduzem a cada ano; a poluição dos recursos hídricos e do solo causam a extinção de milhões de espécies da fauna e da flora, ano após ano; a camada de ozônio continua sendo corroída e a temperatura do planeta aumentando, porque a sociedade humana continua aumentando percentual de gás carbônico na atmosfera.
Nos últimos 150 anos, os seres humanos produziram impactos alterando a área de terra global em cerca de 47%, e dentro dos próximos 50 anos, os impactos poderão atingir até 90%, o que acarretará em uma aumento substancial de problemas ambientais relacionados aos habitats, à biodiversidade, à produção de alimento, aos recursos de água doce e à saúde.

A partir daí é possível pré-dimensionar que a capacidade da terra em disponibilizar os recursos necessários à manutenção das atividades humanas, começou a indicar exaustão a partir dos anos 80, tendo em vista o aumento vertiginoso do consumo de recursos naturais não renováveis (causado principalmente pelo processo denominado “obsolescência programada”).

Esta é a grande crise da humanidade, maior e mais catastrófica que qualquer crise econômica, mas poucos realmente se debruçam sobre estes problemas, que podem levar a espécie humana a um caminho de mão única rumo a seus derradeiros dias sobre este orbe.

Roger Coutinho

Nenhum comentário:

Postar um comentário