quarta-feira, 3 de junho de 2015

O CENTÉSIMO MACACO

A administração e a economia possuem uma longa história de evolução e transformação de paradigmas. Nos primórdios da revolução industrial, logo após, o fim do sistema produtivo artesanal, firmou-se a ideia que a economia alicerçava-se em três pilares, terra (recursos naturais), trabalho (mão de obra) e o capital. Nestes tempos (e ainda hoje) o capital era visto como a (única) mola mestra do desenvolvimento. 

Os outros componentes eram vistos como secundários, sem importância, apenas insumos, que deveriam ser moldados e dominados pelo capital. A natureza era nada mais que um grande supermercado, com reposição infinita, e os trabalhadores, eram seres indolentes que deviam ser comandados, pois caso o contrário, o nobre objetivo dos detentores do capital, em criar um mundo mais confortável para nova espécie que estava sendo criada nas linhas de produção, o Homo Consumus* (nós), não seria alcançada, por causa do comportamento improdutivo da espécie em fase de extinção, o Homo sapiens, que por ser sábio, respeitava seus semelhantes, e a natureza, e vivia o hoje, sem destruir o amanhã. 

Todavia sem mais drama, é fato que a relação do capital, com a mão de obra, evoluiu, e hoje somos até vistos com recursos humanos, ou melhor, ainda, como talentos. Já a natureza continua a ser torturada, como defendia Francis Bacon. É isso, os paradigmas, são como as montanhas, nascem, crescem, e uma dia morrem, mas em uma escala de tempo, muito maior que nossa tênue existência física.

O momento é este, vamos à luta pelas transformações que desejamos e necessitamos, pois um dia atingiremos a massa crítica necessária à mudança. Um dia surgirá
o centésimo macaco**

Roger Coutinho

* neologismo

** Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco. 

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