sábado, 11 de julho de 2015

ACESSIBILIDADE E MEIO AMBIENTE: UM DIREITO DE TODOS.

Conforme dados da ONU (Organização das Nações Unidas), existem aproximadamente 500 milhões de cidadãos que portam algum tipo de deficiência, sendo que 80% habitam em nações em desenvolvimento. Já dados oriundos do Censo 2010 informam que 23,9 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência.

A deficiência de locomoção é a segunda mais citada na pesquisa do IBGE. Assim mais de 13,2 milhões de pessoas declaram possuir algum tipo de problema locomotor, o que equivale a 7% dos brasileiros. A deficiência locomotora grave foi citada por mais de 4,4 milhões de pessoas. Destas, mais de 734,4 mil afirmaram não conseguir caminhar ou subir escadas de modo algum e mais de 3,6 milhões informaram ter grande dificuldade de locomoção.

Desta forma, tendo em vista este considerável contingente populacional, torna-se imprescindível um olhar atento sobre estes brasileiros, para que a partir de um diagnóstico da sua situação, seja possível nortear ações públicas que promovam efetivamente sua integração social, econômica e cultural.

Todavia, um dos grandes problemas enfrentados pelos Deficientes, tange os critérios de acessibilidade, que segundo conceito da ABNT é a “possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano...”, sendo assim considerado como um valor inerente ao próprio espaço, e indelével do mesmo, pois caso o contrário, haverá uma restrição a integração por parte de diversos segmentos da sociedade.

Mas o que isto tem haver com o Meio Ambiente? O fato é que conforme Marx preconizou, em sua teoria da alienação do homem em relação à natureza, nós temos a tendência de não nos considerarmos como integrantes do Meio Ambiente, e mobilizamos grandes esforços para garantir o direito à vida, e liberdade dos animais, dos vegetais, e de tudo que há sobre nosso pequeno planeta, mas muitas vezes nos esquecemos de nós mesmo, esquecemos que também temos direito, a vida e a liberdade. Esquecemos que ter direito ao meio ambiente sadio e equilibrado é também ter direito de viver e ter acesso ao nosso ambiente, pois não somos alienígenas, vivemos no mesmo lugar que todos os outros seres que tanto nos preocupamos em proteger. O fato que mais incomoda é que o cada momento surgem novos projetos de espaços destinados ao convívio do homem com a natureza, mas pouco ou nada se fala em tornar estes espaços accessíveis ao ser humano em toda a sua diversidade.
Neste ínterim, cabe uma indagação crucial, para todos nós ambientalistas, que acreditamos estar trabalhando pelo bem comum, que acreditamos ser essencial para a continuidade da vida na terra, que desenvolvamos, ou recuperemos a capacidade de nos relacionar de forma harmoniosa, e respeitosa, com o planeta e com os outros seres que aqui habitam. Mas como será possível atingir este ideal nirvanico, se ainda somos incapazes de amarmos a nós mesmo, se ainda falamos do ser humano na terceira pessoa, quando muitas vezes declaramos. _O ser humano está destruindo o planeta em vivemos. Como se não fossemos seres humanos.

O mais importante é que tenhamos em mente que necessitamos ajustar as lentes com as quais percebemos o mundo, para que possamos nos perceber com seres deste planeta, e, portanto responsáveis por garantir o direito indelével de cada ser vivo, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, e a acessibilidade.

Por derradeiro, como medida prática para garantir o direito de cada ser vivo a liberdade (traduzida em acessibilidade), urge que tornemos parte inalienável de qualquer projeto, a incorporação dos critérios de acessibilidade, para que o direito ao meio ambiente seja realmente um direito de todos.

Roger Coutinho

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