sábado, 11 de julho de 2015

UM NOVO PARADIGMA. OU...

Ainda pensamos que para resolver os problemas da vida, sejam eles sociais, ecológicos, econômicos, ou ambientais, ou seja, os problemas humanos. Devemos fracioná-los em “probleminhas” e assim solvê-los.  Ainda acreditamos na infante fabula do beija-flor, ainda falamos cheios de orgulho, eu faço a minha parte.

Para entender este comportamento comum votaremos aos primórdios do pensamento científico, quando o homem descobre a razão, e começa a sua busca pelo entendimento dos fenômenos da vida, da natureza, do universo. Quando começa a duvidar dos paradigmas e dogmas estabelecidos.

Nesta busca pelo entendimento das coisas o homem tal qual a criança curiosa que destroça seu brinquedo para saber como este funciona, iniciou um trabalho de desmonte de si mesmo e tudo que o cercava em busca das peças, das partes que formam o todo, e fez isso sob a égide da razão, da ciência. 

E assim grandes pensadores como René Descartes, e Francis Bacon, declararam e efetivaram a ideia que a natureza (todos nós) deve ser analisada, desmontada, destruída, “torturada” para que assim os segredos da vida possam ser revelados pelos fragmentos resultantes do processo. Em resumo a ciência passa a olhar a vida como uma grande e complexa maquina, complexa, porém uma máquina, e como tal poderia e devia ser tratada.

Assim o método de Descartes e Bacon, somados mais tarde a mecânica de Newton, culminaram em consolidar o paradigma em voga, ou pensamento cartesiano/mecanicista. Desta forma tudo e todos passaram a ser vistos como máquinas, e os problemas da sociedade humana, fossem eles sociais, morais, éticos, políticos, de saúde, etc. Passaram a ser entendidos como defeitos da máquina, e tal qual as máquinas, para solvê-los bastava identificar a peça defeituosa e substituí-la. O trágico desta forma de pensar é que se olharmos para traz, veremos que tentaram substituir até mesmo seres humanos, que em algum momento foram vistos como peças defeituosas em um determinado contexto político... (que preferimos esquecer).
Em contraponto a esta forma de pensar, a este paradigma incipiente para diagnosticar e solver os problemas da sociedade humana há de se consolidar o paradigma sistêmico ou simplesmente pensamento ecológico profundo.

Esta nova forma de pensar que ainda se encontra em gestação propõe que para se resolver as questões de sustentabilidade faz-se necessário uma analise do problema sobre suas várias facetas, para que assim o problema seja efetivamente sanado. 

É necessário ir à além da eficiência do fazer, devemos buscar a eficácia do solucionar. Para exemplificar e não mais me alongar, já que o tema leva a uma longa digressão, vamos pensar nos crescentes problemas cardíacos da população humana. Nossa ciência médica cartesiana/mecanicista investe bilhões no desenvolvimento de fármacos, técnicas cirúrgicas, e até mesmo na criação de órgão artificiais, porém é incapaz de promover com eficácia uma mudança no comportamento alimentar do ser humano, que levaria a uma vida mais saudável e com menos problemas cardíacos. 

Só para citar mais um exemplo clássico, nossa indústria automobilísticas também não mede investimentos na produção de carros com motores mais potentes e ditos menos poluentes, mas ninguém (ou raros) investe seriamente na mudança de comportamento, como usar bicicletas, ou caminhar, pelo contrário a mídia nos faz crer que possuir um “carrão” é mais que uma necessidade de mobilidade e um símbolo e acessão social, que locomover-se a pé, de bicicleta, ou em coletivos, é para os menos afortunados, para os incompetentes que não alcançaram o sucesso.

Pensem nisso. 

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