quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A NOVA ÉTICA AMBIENTAL

Arthur Soffiati

Quando os portugueses e outros europeus chegaram às terras que futuramente seriam o suporte físico do Brasil, havia muitas florestas e muita água nos rios e lagoas, além de fartura em tudo que ainda hoje chamamos de recursos naturais.  Quinhentos anos depois, as florestas estão devastadas e os rios sem suas matas ciliares, poluídos e esgotados. A crise hídrica que começou em 2014 e ainda continua mostrou que a síndrome da abundância, que sustentou por muito tempo a inesgotabilidade da natureza, não pode mais continuar.

Durante muito tempo, a ética do brasileiro em relação à natureza foi de predação. Esta atitude precisa mudar agora, se quisermos qualidade de vida no futuro. Em vez do esbanjamento, precisamos aprender a economizar em todos os níveis e setores. A agropecuária, a indústria e as cidades são os setores que mais poluem e, ao mesmo tempo, os que mais consomem. Entre a captação e o consumo, a perda de água chega a 50%, em alguns casos. A grande transposição que se faz do Rio Paraíba do Sul para o Rio Guandu visa mais a diluir a poluição para melhorar a captação.

Em toda a bacia, o desmatamento ultrapassa os limites mínimos. Sem floresta, a água escasseia. A nova ética ambiental, então, requer atenção com a natureza. O níveis de gases do efeito-estufa na atmosfera vêm elevando as temperaturas desde 1976. O desmatamento da Amazônia diminui o aporte de água para o centro-oeste e o sudeste e o desmatamento das bacias reduz a vazão dos rios.

Cabe agora diminuir a emissão de gases, restaurar e preservar a Amazônia, reflorestar, despoluir as bacias hídricas e economizar em todos os níveis. A nova ética ambiental deve ser abraçada por todos, caso desejemos um futuro mais confortável que o atual presente.

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