quinta-feira, 28 de junho de 2018

Criação de Unidades de Conservação (UC)

O jogo de interesses por vezes antagônico dificulta o processo de criação de unidades de conservação, por um lado os ambientalistas, muitas vezes apaixonados defendem a preservação dos espaços naturais, tornando-os intocáveis. Por outro ponto os políticos/poder público, usa muitas vezes a força que lhe é inata e transformam de uma hora para outra grandes áreas em unidades de conservação, sem se preocupar com a perdas de propriedade e/ou restrições de uso impostas ao legítimo titular das terras expropriadas. Sem entrar em detalhas estatísticos, é possível afirmar que um número significativo de UC não concluiu, ou sequer iniciou seu processo de regularização fundiária.

Sem me alongar mais, segue um simples modelo de jogo de negociações, que no meu entender deve ser a base do processo de criação de UCs. Este modelo é um extrato (adaptado) de artigo publicado nos tempos do mestrado, quando a criatividade esta mais aflorada, os insight aconteciam mais corriqueiramente.


Analisando os vetores do diagrama (figura 6), podemos observar o “ambientalista” deve atuar sobre o “político” (V1), informando-lhe sobre o problema, e também cobrandolhe atitude, já com as “comunidades” (V2 e V3) é necessário informá-la e incitá-la a cobrar dos políticos a atitude pertinente para a questão. Quanto ao “empreendedor” (V4) é imprescindível informá-lo que a criação da unidade de conservação pretendida, não inviabiliza seu empreendimento, para que o mesmo não ofereça resistência. Desta forma, serão formados os vetores de influência (V5 e V6), por parte das “comunidades” sobre os “políticos”, que resultarão na formação do vetor (V7), gerado pelos “políticos” sobre o “empreendedor”.
Neste ponto, ou seja, o trato da relação entre “políticos” e “empreendedor”, é imperioso que o “ambientalista” modere a negociação, para que os interesses conservacionistas, sejam negociados sob uma ótica de ganha-ganha, para que o “empreendedor” não ofereça resistência às pressões exercidas sobre ele, e acabe buscando caminhos alternativos, para concluir seu empreendimento. A contrário de somar-se aos anseios de todos gerando os novos vetores (V8, V9, V10, V11, V12) de forças não concorrentes que levarão a concretização do pleito de criar a unidade de conservação.
Cabe por derradeiro esclarecer que o modelo exposto trata-se de uma simplificação do jogo6 estabelecido entre os diversos atores e interesses, mas que pode satisfatoriamente ser utilizado com ponto de partida para análise prévia de suporte ao processo de negociação.

Roger Coutinho

Link da integra do artigo AQUI

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